Google colocou anúncios de imóveis direto na busca. A “guerra dos portais” entra em outra fase — e a IA muda quem controla a venda.
Google na guerra dos portais: e se o “portal” virar a própria busca?
Se você achava que a guerra dos portais imobiliários era só uma disputa entre quem tem mais inventário, mais leads e mais verba de mídia… o Google acaba de sugerir um tabuleiro bem diferente: colocar imóveis à venda diretamente no resultado de busca, com página de detalhes, botão para solicitar visita e contato com corretor — o “core” do modelo de negócios dos portais.
E o detalhe que incomoda (ou liberta, dependendo do seu lado): isso aparece como teste, em poucos mercados, apenas no mobile. Ou seja: não é anúncio “tradicional” — é o Google ensaiando ser o lugar onde a decisão começa e talvez termine.
O que o Mike DelPrete viu (e por que vale prestar atenção)
No artigo “Google Enters the Portal Wars”, o Mike DelPrete chama a atenção para um sinal simples e forte: o Google exibindo listagens “for sale” com experiência de portal dentro da busca.
Ele também aponta que parece haver parceria com a ComeHome (HouseCanary) e que os resultados seriam “não fornecidos ou patrocinados por corretores ou brokers” — o que levanta perguntas grandes sobre origem do dado, distribuição e controle do funil.
A conclusão dele é honesta (e, por isso, mais inquietante): por enquanto, implicações são especulação — mas 2026 promete ser “zinger”.
A IA mudou o jogo: o funil virou conversa
A provocação central não é “Google versus portais”. É outra:
Quando a IA vira a interface, quem controla o cliente controla a venda.
O usuário não quer “navegar”. Ele quer resolver:
- “Quero um 2 quartos perto do metrô, com sol da manhã, até X, e que aceite pet. Marca visita sábado.”
- “Me diga os 5 melhores bairros para meu perfil e o risco de ruído/condomínio.”
- “Simule financiamento, compare com aluguel e me diga o melhor cenário.”
Se a resposta convincente vier antes do clique no portal — e já vier com “agendar visita” — o portal deixa de ser destino e vira fornecedor de inventário. E, para a imobiliária, isso é um alerta: a disputa passa a ser por posicionamento na camada de resposta, não só por anúncio e vitrine.
A guerra dos portais imobiliários sempre foi sobre uma coisa: dependência
Vamos dizer sem rodeios: muita operação confunde “vendas” com “leads do portal”.
Funciona… até o dia em que:
- o custo sobe,
- a regra do jogo muda,
- o tráfego cai,
- a plataforma decide quem aparece (e quem não aparece),
- a conversa acontece fora do seu domínio.
Quando o Google testa uma experiência de portal na SERP, ele está testando algo ainda maior: desintermediar a intermediação — não tirando o corretor da equação, mas reposicionando quem entrega o cliente para o corretor.
Então qual é a ferramenta de vendas mais inteligente?
Aqui vai a pergunta que dói (e que vale colocar na reunião de liderança):
Portal é ferramenta de venda… ou é ferramenta de aquisição “alugada”?
Porque a ferramenta de vendas mais inteligente, em 2026, tende a ser a que:
- reduz dependência (não aumenta),
- Aprende com seus dados (e não só com o “mercado”),
- Encurta o tempo até a visita,
- Aumenta taxa de conversão do seu time,
- Cria relacionamento proprietário (base, recorrência, recomendação).
Isso aponta para um “stack” mais inteligente do que “anunciar mais”:
- CRM + automação + governança de atendimento (SLA real, cadência, playbooks)
- Conteúdo e presença local (site, SEO, Google Business Profile, prova social)
- Captação e qualificação com IA (pré-atendimento, triagem, priorização)
- Distribuição multicanal com rastreio (para saber o que vende de verdade)
O portal continua relevante — mas, para quem quer sobreviver à próxima fase da guerra, ele precisa ser canal, não muleta.
Se o Google vira portal, o que muda para imobiliárias (na prática)?
Algumas mudanças bem pé no chão:
- Seu site e seus anúncios precisam “conversar” com buscadores e IA: dados estruturados, páginas por bairro, páginas por tipologia, FAQs objetivas, inventário indexável quando fizer sentido.
- Marca e reputação sobem de peso: quando o usuário decide na busca, ele escolhe quem parece confiável agora.
- Velocidade vence discurso: se o Google (ou qualquer assistente) facilita o “agendar visita”, sua operação precisa responder em minutos, não em “horário comercial”.
- Exclusividade vira estratégia, não vaidade: inventário exclusivo pode ser diferencial… ou pode virar briga de distribuição. Quem manda no dado manda no alcance.
Provocação final para o mercado
A guerra dos portais imobiliários pode estar migrando de “quem tem mais imóveis” para “quem tem a melhor interface de decisão”.
E aí fica a pergunta que separa operação moderna de operação refém:
A sua ferramenta de vendas é inteligente porque vende — ou porque te faz comprar o mesmo cliente todo mês?
Se a resposta for a segunda, talvez a grande pauta de 2026 não seja “qual portal performa melhor”, e sim:
Qual ecossistema (pessoas + processo + dados + IA) transforma intenção em visita e visita em contrato, com o menor custo de dependência.*
Perguntas para levar ao time:
- Se amanhã o tráfego de portais cair 30%, sua operação aguenta?
- Seu CRM está te dizendo quem compra — ou só guardando contatos?
- Seu atendimento é rápido o bastante para competir com um botão de “agendar visita” na busca?
- Você está construindo audiência própria… ou apenas alugando vitrine?




